Assembleia da CPT Bahia celebra 40 anos de atuação da pastoral e discute a violência no campo baiano

Assassinatos de camponeses em Monte Santo (BA), aumento de vítimas de Trabalho Escravo na Bahia e morosidade na regularização fundiária. É nesse cenário de tensões e violências do campo baiano, que será iniciada amanhã (12/04), no Recanto ‘Maria de Nazaré’, em Feira de Santana, a 19a Assembleia Regional da Comissão Pastoral da Terra Bahia (CPT/BA). O evento que terá continuidade até o dia 14 de abril, funciona como um fórum de decisões da CPT/BA, onde são deliberadas as diretrizes para o próximo triênio da organização. É também o momento em que é eleita a nova coordenação da entidade. Cerca de 40 pessoas de várias partes do Estado da Bahia são aguardadas para participar do evento, entre camponeses e agentes de pastoral.selo 40 anos_site - fundo_transparente

Com o tema “Vim trazer fogo sobre a terra e como queria que estivesse incendiando”, citação bíblica extraída do evangelho de São Lucas, a Assembleia desse ano ganha um significado especial por ser também um momento celebrativo dos 40 anos da CPT/BA e por acontecer num tempo de discussão e posicionamento sobre a violência que assola o campo brasileiro. “A CPT está colada à realidade do conflito e da injustiça em relação à terra. São essas coisas que inspiram e que devem chamar atenção para o conjunto maior da Assembleia”, fala Luciano Bernardi, um dos coordenadores da CPT/BA. Ele acredita que episódios recentes de violência no campo, como a prisão do líder indígena tupinambá, Cacique Babau, devem ser discutidos no encontro. “Essa não é uma Assembleia qualquer, é a Assembleia de 40 anos da CPT Bahia e a conjuntura de agora repete a do momento de fundação da CPT, na Ditadura Militar, com aspectos até mais trágicos”, analisa Bernardi.

Bernardi faz referência aos episódios recentes de conflito no campo que tem acontecido no Brasil. Dois sem terra foram executados e outros tantos ficaram feridos no Paraná, no dia 07 de abril. Uma liderança de assentamento na Paraíba foi executada dentro de casa, ao lado da filha de um ano, no dia 06. No dia 31 de março, na comunidade quilombola Cruzeiro, município de Palmeirândia, MA, foi encontrado morto por disparo de arma de fogo o quilombola, conhecido como Zé Sapo. Em Rondônia mortes violentas, desaparecimentos e crimes rondam as comunidades camponesas. Em Mato Grosso e no Pará despejos violentos são constantes, e fazendeiros mandantes de crimes contra lavradores são absolvidos. Em 2015, o sangue de 50 trabalhadores e trabalhadoras foram assassinados no campo. Ao sangue deles se soma o de outros 13 lutadores e lutadoras tombados neste ano de 2016. Na Bahia, além da prisão do cacique Babau, as ameaças promovidas por grilagens de terra ameaçam a permanência de vários trabalhadores no campo. No município de Barra, a grilagem recente de cerca de 20% do município, ameaça a permanência de 15 mil pessoas no local conhecido como Brejos da Barra.

“Nesses 40 anos a CPT se dá conta e confirma que a terra é parte essencial do poder, em todos os sentidos, e não é à toa que a terra depois que entregue ao agro e hidro negócio acaba sendo também a causa desses conflitos”, analisa Bernardi.

Para ajudar nas discussões desses elementos, o encontro terá a participação, já no primeiro dia, do Doutor em Sociologia, Celso Fávero, professor da UNEB e líder do grupo de Pesquisa Territórios, Hegemonias, Periferias e Ausências, da mesma universidade. Ele será responsável por auxiliar na análise da conjuntura política do campo. O vice-presidente da CPT nacional e bispo da diocese de Rui Barbosa (BA), Dom André de Witte, também participará do evento.

Sobre a CPT
Fundada em janeiro de 1976, a CPT Bahia tem atuado ao longo desse tempo ao lado dos camponeses e populações tradicionais do campo, como quilombolas e comunidades de Fundo e Fecho de Pasto, pela conquista e manutenção dessas populações na terra. A organização, em âmbito nacional, também é responsável por compilar e divulgar a mais antiga pesquisa sobre a violência do campo brasileiro, a publicação Caderno de Conflitos.

 

Serviço:

O quê: 19a Assembleia da Comissão Pastoral da Terra da Bahia

Onde: Recanto ‘Maria de Nazaré’, situado ao lado do Centro Papagaio – Rodovia Feira – Serrinha (em direção a UEFS, e antes da Policia Federal). Após a Passarela, entra-se a direita. Tem placa na rodovia indicando o Centro Diocesano do Papagaio.

Quando: 12-14 de abril de 2016

20

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*