Conflito por terra deixa apreensiva uma comunidade do município de Barra (BA)

junho 07, 2017

No dia 05 de junho de 2017, um grupo de 25 camponeses e camponesas, mais dois representantes do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Barra – STTR e a Comissão Pastoral da Terra – CPT, reuniram-se em Ibotirama (BA) para discutir o conflito vivido pela comunidade de Igarité, e fazer encaminhamentos em vista ao arrefecimento da situação.

Essa comunidade fica localizada no município de Barra, na região oeste da Bahia, e tem aproximadamente 450 famílias que ali vivem há décadas. A população de Igaraté que antes vivia em razoável sossego, hoje está vivenciando um processo de grilagem muito intenso.

Segundo relatos dos moradores, essa situação passou a existir a partir da chegada do Sr. Celizio da Silva Espindola que se identifica como delegado de polícia da Asa Sul, em Brasília, e afirma ser dono das terras onde a comunidade está localizada.

Preocupadas com tal situação, lideranças da comunidade agendou com a CPT uma reunião que aconteceu no dia 22 de maio de 2017, com o objetivo de iniciar a discussão sobre autorreconhecimento quilombola, na perspectiva de solicitar a identificação, delimitação e titulação do território tradicionalmente ocupado. Após a referida reunião aumentou a pressão contra os/as trabalhadores/as.

No dia 27 de maio, o STTR participou de uma reunião na comunidade com o proposito de discutir com os/as trabalhadores/as saídas para o conflito, mas não foi possível pautar o assunto. Segundo informações de moradores que estavam na reunião, vários prepostos do suposto proprietário estavam armados no local. Houve até quem exibisse armas, na tentativa de amedrontar trabalhadores/as.

Pessoas afirmam que moradores da comunidade que estão do lado do delegado, andam com aparelhos de gravação escondidos, para gravar as conversas dos/as trabalhadores/as.

Da terra em conflito

Contam os/as camponeses/as que quando a fazenda foi desmembrada e vendida, Esmar Amorim (ex-proprietário) deixou cerca de 5.000 hectares para a comunidade, infelizmente foi “uma doação de boca”, e não há um documento que comprove essa doação. Atualmente, devido às “invasões” a área resume-se em cerca de 3.600 hectares, toda ela demarcada com variantes. A mesma é utilizada pela comunidade para moradia, criação de animais a solta, fazer roça, coletar de mel, pegar estacas e colher frutas.

Os/as trabalhadores/as também afirmam que o Celizio Espindola informou que a prefeitura está com processo de desapropriação de 200 hectares, e o restante da terra que fica nos fundos da fazenda, será loteada. Disse ainda, que se a prefeitura não pagar o valor da desapropriação, ele vai tomar as casas do povo porque as mesmas são de sua propriedade.

De todas as formas, Espindola tem pressionado o povo que não está do seu lado. Como a maioria dos/as moradores/as está resistindo, a pressão contra a comunidade aumentou. Já chegaram a passar com o trator sobre a madeira que os trabalhadores estavam fazendo a cerca, e derrubaram a cerca e o barraco de uma senhora.  Os/as trabalhadores/as disseram que o delegado Celizio, afirmou “que o trator vai continuar trabalhando e se alguém for para frente da máquina é para derrubar”.

Os agentes do fazendeiro disseram que não é para a comunidade envolver nem o sindicado e nem políticos nas discussões. Segundo eles, esse envolvimento pode atrasar o processo. E a intenção é encaminhar as coisas o mais rápido possível.

Essa situação é gravíssima, e os/as moradores/as de Igarité pedem socorro. Como encaminhamento das discussões, será solicitado ao Ministério Público e a Coordenadoria de Desenvolvimento Agrário – CDA providências para essa situação. Espera-se que algo seja feita para evitar maiores consequências.

CPT BA Centro Oeste/ Núcleo Barra


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