Comunidades Tradicionais

A CPT Bahia tem atuação junto as comunidades tradicionais que secularmente ocupam seus territórios, entendidos como espaço de vida e reprodução física, social, cultural e econômica.Foto: Arquivo CPT Juazeiro.

No Estado da Bahia, a CPT trabalha especialmente com:

• Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto, tradicionais moradores/as de terras devolutas no semi-árido ou cerrado que se caracterizam pelo criatório de ovinos, caprinos ou bovinos em áreas comuns, apoiando suas lutas por regularização fundiária, respeitando a forma de uso comum, e melhorias de condições de vida;

• Quilombolas, apoiando suas lutas por regularização de seus territórios e melhores condições de vida;

• Pequenos/as Agricultores/as e Criadores/as, apoiando suas lutas por permanência na terra e política agrícola adequada.

Além do mais, o apoio da CPT se expressa no incentivo às técnicas alternativas de cultivo, às práticas solidárias de consumo e comércio, ao fortalecimento da própria cultura e da auto-estima camponesa, à organização através de articulações e movimentos específicos e à construção de novas relações sociais de gênero, étnico-raciais e de geração.

Jovens quilombolas. (Foto: Arquivo CPT Lapa)Atualmente, estas comunidades encontram-se ameaçadas pelo modelo de desenvolvimento em curso no país, voltado para exportação de “commodities” e que favorece o agro-hidronegócio e a exploração de minérios. Se não bastasse o monocultivo da soja, eucalipto, algodão e outros que vem devastando a natureza com o desmatamento, morte das nascentes e o uso intensivo de agrotóxico, outra ameaça se anuncia a estas comunidades e ao meio ambiente: o programa de agro-combustíveis com a previsão de plantio de milhares de hectares de cana, para a produção do etanol e, oleaginosas, para a produção do biodiesel. No campo baiano, a expansão dessas atividades, como também da mineração, vem provocando conflitos com comunidades de Fundo e Fecho de Pasto, Quilombolas e de Pequenos/as Agricultores/as tradicionais. O mercado de terras esquentou, por isso a pressão para expulsar estas populações de seus territórios, tidas como entraves ao desenvolvimento.

O que está em jogo nesse processo não é só a existência dessas comunidades com toda sua riqueza cultural e sabedoria, mas a própria soberania alimentar não só delas como de toda nação, sob ameaça do controle da produção e da circulação da comida por poucas empresas internacionais do agronegócio como também da produção dos agro-combustíveis e da exploração mineral.