Projeto São Francisco

A CPT Bahia é uma das principais responsáveis pelo Projeto São Francisco (PSF), que está a serviço das lutas e iniciativas populares pela revitalização do Rio São Francisco.

Índio Truká tomando água no rio São Francisco. (Foto: João Zinclar)O PSF nasceu em 2004 da decisão das equipes da CPT na bacia do rio nos estados da Bahia e de Minas Gerais, por uma atuação focada no Velho Chico, em parceria com o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP).

O Rio, que corre por quase 3.000 km, forma uma bacia de 630.000 km2, 7,5% do território brasileiro, onde vivem 14 milhões de pessoas, em 504 municípios, de seis estados mais o Distrito Federal.

Historicamente, é o rio brasileiro mais importante, servindo de meio para a ocupação do território e de ligação entre o Norte e o Sul. Seu valor é também ecológico, paisagístico, cultural, energético, mineral e agrícola. Não obstante tanta importância, e em conseqüência da exploração predatória e irresponsável, o rio São Francisco encontra-se em estado de calamidade. E quem mais sofre com isso são os pobres que dele dependem para viver.

Rio assoreado afluente do São Francisco na Região Oeste da Bahia. (Foto: Gildevan Viana)Em cinco séculos, acumularam-se as agressões, sobretudo dos grandes projetos – desmatamento das matas ciliares e do Cerrado, poluição urbana e industrial, uso excessivo das suas águas para irrigação, barragens, concentração de terras – resultados de uma política equivocada de multiusos indisciplinados e conflitantes.

Como se não bastasse, durante o governo Lula deu-se início ao projeto desastroso da Transposição de águas para os estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Diante desta realidade o PSF tem o objetivo de articular, fortalecer e organizar as forças populares pela revitalização da bacia através de trabalho político-educativo.

O primeiro passo do PSF foram os “mutirões” de diagnóstico da Bacia do São Francisco, em 2005, quando grupos populares foram levados a percorrer a Bacia e intercambiar experiências de luta e revitalização.

O Projeto consolidou-se em 2006, construindo junto com os povos e as comunidades o Projeto Popular para o São Francisco. Em 2007 dedicou-se à luta contra a transposição, com grandes mobilizações, em Brasília, no canteiro de obras em Cabrobó (PE), na região dos canais da transposição, e junto a dom Luiz Cappio, nos 24 dias de jejum ou greve de fome, em Sobradinho (BA). Já estivera presente no apoio ao primeiro jejum em 2005, em Cabrobó.

Marcha de protesto após o despejo no canteiro de obras de Cabrobó em 2008.Em 2008, diante do avanço da irrigação, dos agrocombustíveis e da mineração, em total desrespeito às comunidades tradicionais, o PSF priorizou as comunidades afetadas por esses projetos e a Campanha pela Revitalização verdadeira. Uma Rede de Educomunicadores Populares, formalizada em 2008, tem sido fundamental para criar uma consciência de defesa do São Francisco.

O PSF luta por uma verdadeira revitalização do Rio São Francisco, aquela que parte das principais causas da degradação do rio, que em grande parte são ligadas a problemas estruturais do uso do solo, das águas e dos demais recursos naturais da Bacia, em conseqüência dos usos econômicos abusivos. O programa do governo calculadamente se desvia destas causas ligadas à produção agrícola de exportação e à mineração. Sem profundas mudanças no modelo de desenvolvimento aplicado na bacia do Rio São Francisco e para o Nordeste, o rio e o seu povo estão condenados.

Saiba mais acessando o site da Articulação Popular São Francisco Vivo em www.saofranciscovivo.com.br