Já são 500 anos da Reforma Luterana

Em 1517, um movimento dentro da Igreja Católica Romana ganha o nome de movimento reformista, por se tratar de pessoas lideradas pelo Padre Martinho Lutero, que questionavam as práticas mais comuns da Igreja Católica. Entre elas, a venda pública das indulgências, os pergaminhos que perdoavam os pecados do fiel. Muitos padres as vendiam em troca de uma doação em dinheiro ou em terras a Igreja.

“Assim que a moeda no cofre cai, a alma do Purgatório sai”, dizia um ditado popular na época. Essa ideia teve seu auge durante o pontificado de Leão X que teve início em 1513 e terminou em 1521. Seu pontificado ficou conhecido por fazer de Roma um florescente centro cultural da Renascença.

Na manhã do dia 31 de outubro de 1517, o jovem monge agostiniano Martinho Lutero pendurou na porta da Igreja de Wittemberg, na Alemanha, 95 teses que criticavam a conduta da Igreja Católica. Os textos denunciavam a deturpação do evangelho, a venda de indulgências e a corrupção, o enriquecimento ilícito e a falta do celibato clerical e se fosse hoje ele também denunciaria o cooperativismo clerical e além das denúncias, chamavam o cristão ao arrependimento e à fé.

Para a Igreja de Roma era uma desobediência, o fim do mundo, e Martinho precisava pedir perdão publicamente. Para os fiéis era um recomeço, um retorno as comunidades primitivas, era o fim da compra de um pedacinho do céu, onde os ricos se beneficiavam e da corrupção, era o fim do enriquecimento ilícito do clero e do abuso de autoridade.

As 95 teses de Lutero deram origem a um movimento de ruptura que levou à criação de um novo seguimento cristão, o Luteranismo, identificado como um movimento protestante em relação ao Catolicismo. Alguns historiadores afirmam que Lutero nunca quis sair da Igreja Católica. Mas devido às pressões sobre as suas posições, ele foi firme e não recuou e por isso a Igreja o excomungou e expulsou, proibindo-o que celebrasse os rituais sagrados da eucaristia, ato do Papa Leão X. No entanto, o príncipe da Saxônia, Frederico, protegeu Lutero e nascia uma nova comunidade religiosa, atraindo um número grande de fies.

Isso causou uma reflexão na Igreja Católica Romana e convocaram o concilio de Trento, que teve inicio em 1545 e durou ate 1563, este concilio resultou em algumas diretrizes e orientações como:

– A partir do Concílio, os cultos poderiam ser realizados em língua nacional, visando uma ampla divulgação do Catecismo Romano;

– Para elevar o nível moral dos padres, surgiram, pela primeira vez, os seminários, responsáveis pela educação religiosa;

– O celibato, ao contrário de ter sido quebrado por alguns, foi veementemente reafirmado;

– O Papa teve seus poderes e representatividade garantidos;

– A livre interpretação dos textos sagrados foi rejeitada e a devoção a imagens, à figura de Maria e aos santos foi reforçada;

– A Igreja também realizou medidas conservadoras como a reorganização do Tribunal do Santo Ofício, encarregado de combater as heresias e julgar os infiéis;

– Livros considerados heresias foram proibidos. Muitas vezes, esses livros foram queimados em praça pública, em grandes fogueiras;

– O Catolicismo se tornou ainda mais forte em países como a Itália, França, Espanha, Portugal, Áustria e a Bélgica, assim como nas colônias.

Já são 500 anos da reforma, muitas coisas mudaram de ambas as partes, novos movimentos como os carismáticos e o neopentecostalismo, assim como a teologia da prosperidade. Houve também um movimento que mais tarde viria a se chamar “Comunidades Eclesiais de Base”, e nasceria à teologia da libertação, uma ala da igreja que acredita em uma interpretação da bíblia subversiva, que liga a fé com a vida.

Neste novo contexto será que iremos passar por uma nova reforma das igrejas? As igrejas correspondem às necessidades contemporâneas? As igrejas conseguem dialogar com a sociedade? O que temos para reformar?

Texto: Tiago Aragão/ Equipe Centro Norte – CPT Bahia

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