Qualidade vale mais que quantidade

junho 09, 2017

A romaria da terra e das águas de Ruy Barbosa esta entrando no capitulo vivo das saudades que deixam um marco de esperança e realismo na vida das comunidades e das pessoas que participaram.  As avaliações e as fotos que se trocam  sinalizam e confirmam: a maciça participação popular e juvenil;  a preparação caprichada, em equipe, dos ritos e dos sinais que permitiram ás classes populares uma celebração ágil e ligada ao real em que quase todos são “doutores e liturgos”; o explosivo avanço da consciência critica e profética com dimensão social que, longe de ser sentimentalismo, contribui para a construção de uma sociedade nova e renovada em todos os aspecto, inclusive os que exigem conversão e mudanças de atitudes em todos os níveis.. 

Dentro desta perspectiva deve ser lida a profética reflexão de dom Matthias publicada em Laços em 1987  Ela foi lida na própria liturgia da Romaria como memória de dom Matthias e de todos e todas que com ele colaboraram numa ação pastoral de conjunto. (cfr. o texto)

QUALIDADE VALE MAIS QUE QUANTIDADE

Em primeiro lugar, nos tempos de hoje, temos que aceitar viver uma tensão entre os aspectos positivos e negativos deste nosso mundo moderno. Voltar para trás não resolve e nem é vontade de Deus. O mundo moderno tem suas coisas boas. Há “progresso verdadeiro”, mas, ao mesmo tempo, não vamos nos contentar com o “reino da tecnologia”, nem esperar “um paraíso terrestre”.

O cristão nunca se conforma com o mundo e seus valores, mas sempre prega a “loucura da cruz” e os valores morais do sermão da montanha.

Na prática, isto quer dizer que, no futuro, os católicos serão cada vez uma porcentagem menor no Brasil. A religião deixará de ser uma “religião social”. O importante não será ter muitos batizados, mas pessoas que assumem, cada vez mais, a responsabilidade na igreja e na sociedade. Os leigos serão menos dependentes do clero e cumprirão seus deveres junto com os padres e as religiosas. O importante será a qualidade e não a quantidade.  Não procuramos sucesso aos olhos do mundo, mas fidelidade ao Senhor, confiantes na promessa de Jesus e no poder do Espírito Santo.

No esforço de construir um mundo onde haja mais liberdade, mais justiça, mais vida para todos, teremos que colaborar com pessoas que também querem isto, mas que tem ideologias diferentes de nós cristãos. Teremos que participar de movimentos que não tem apoio da maioria como contra os armamentos, o racismo, as discriminações e em favor dos direitos humanos, da reforma agrária, da saúde e educação para todos. Não podemos permanecer nem frios e nem quentes. Não podemos deixar de amar aqueles que não aceitam nossas ideias, sabendo que são também nossos irmãos (……)

Enfim, para enfrentar uma vida de “diáspora” isto é misturado no meio de gente de todo tipo, o cristão necessita do apoio de muitos cristãos e duma vida em comunidade. Por isso a importância dsa CEBs, comunidades eclesiais de base.  Na comunidade, o povo reza, estuda a Bíblia e a realidade, dialoga, aprende a distinguir entre o bem e o mal no mundo, e celebra a presença de Deus entre nós. (Dom Matthias William Schmidt, bispo de Ruy Barbosa – BA, em Laços (boletim da diocese DE Ruy Babosa)

Luciano Bernardi da CPT Bahia


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