SEM VIOLENCIA E SEM MEDO

Num tempo em que o Brasil esta pegando fogo, o povo continua sua caminhada de fé, em romaria e em comunidades (Cebs). Além da Romaria de Ruy Barbosa, inspirada  pelo bispo dom Matthias, e pela nossa Romaria Mae de Bom Jesus da Lapa, completando mais de 40 anos… propomos esta revisitação a um dos nossos maiores animadores  em tempos difíceis parecidos com os nosso de hoje.

Sem violência e sem medo

A igreja católica e suas comunidades eclesiais de base, muitas vezes são avaliadas como demasiado “espiscopais” que, numa linguagem mais clara e simples é como dizer: “onde tem um bispo bom, preparado teologicamente e cheio de espiritualidade bíblica, a animação das comunidades logo é influenciada e beneficiada. Com toda franqueza, nós que estamos escrevendo essas linhas, estamos plenamente de acordo com os que pensam assim. O protagonismo evangélico, como Papa Francisco insiste, jamais pode ser só do bispo, mas de toda a comunidade.

Fazendo ainda memória do saudoso dom Matthias Schmidt, fomos visitar, na memória, um bispo que foi, sem sombra de dúvida, um dos “mestres” de dom Matthias, como ele mesmo confessava em seus diálogos fraternais, quando vivo. Trata-se de dom FERNANDO GOMES DOS SANTOS, arcebispo de Goiânia que dom Matthias conheceu logo ao ser nomeado bispo auxiliar de Jataí (GO). Sua trajetória de vida vai de Patos MG, 1910, até 1 de junho de 1985, Goiânia.

Ganhou fama nacional pela sua capacidade de enfrentar o regime militar que se impôs no Brasil em 1964. Seu lema era: “Sem violência e sem medo”. Ele dizia: “Segundo as normas da sana política e do bom senso, subversão é a perturbação da ordem pública contra a verdade, a justiça e os direitos humanos. Mas a “Revolução” militar de 1964, impôs um conceito próprio de subversão. Considera subversivo tudo o que seja contrário aos intocáveis objetivos da mesma… e trata então da negação do Estado como entidade pública a favor do bem comum, proclamada e executada por aqueles que deveriam ser seus servidores… Isso é uma ordem social contrária à natureza, à liberdade responsável e à dignidade. É um regime de força em que todos são vigilados e fichados, se estabelece um clima de medo, de angústia, de inseguranças generalizadas. O medo está matando as últimas reservas morais deste país. Primeiro, ninguém pode dizer o que pensa da chamada “abertura democrática”. Não sei se já encontraram a abertura; em segundo lugar, porque essa abertura tem muita semelhança com o “cadeado que fecha”.

– Em Goiânia temos um governador que, no meu modo de ver, ainda não tem consciência das suas responsabilidades de governador, ou pelo menos não o demonstrou; pensa que governar é   juntar dinheiro ou conseguir dinheiro, mesmo em detrimento do povo pobre.

Atacam-me dizendo que o Papa falou que não quer que a Igreja faça política – “Li o documento de João Paulo II. Primeiro, o Papa não disse nada de novo, porque isso é doutrina que aprendi quando seminarista, que a Igreja tem uma missão essencialmente religiosa. Ninguém jamais colocou isso em dúvida. E o Papa repete isso constantemente, em todos seus discursos. É ponto pacífico. Em segundo lugar, ele disse que o presbítero ou a Igreja deve afastar-se da política de partido, o que não tem nada de novo. É uma advertência sempre oportuna e ao mesmo tempo parece-me que é um recado não tanto para os bispos, senão para os que querem que os bispos se integrem em partidos políticos. Mas isso não significa que a Igreja não respeite os partidos e que não defenda a tese do pluri-partidismo. A Igreja defende e crê que o perigo e o erro maior é o partido único, porque todo partido único é absorvente e totalitário” (Palestra aos licenciados em direito da Universidade Federal de Goiânia, Brasil, 29 dezembro 1980)

“Unamo-nos, sem violência, para vencer o arbítrio, a prepotência e o terrorismo. Mais que escravos da lei injusta, sejamos arautos da justiça e amantes da verdade. Sejamos livres, no pleno e evangélico sentido da liberdade e elevemos o mundo acima das suas iniquidades e faremos triunfar os ideais da vida, do amor e da paz. “

(Sintese de Luciano Bernardi sobre um texto de José Marins)

 

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