Trabalhadores e trabalhadoras rurais resistem acampados há 10 anos

Foto: CPT Bahia/ Equipe Centro Oeste.
Foto: CPT Bahia/ Equipe Centro Oeste.

“Desde minha juventude sonhava em ter um pedaço de terra para trabalhar, mas não conseguia porque não tinha dinheiro para comprar. Mas felizmente surgiu à oportunidade de acampar aqui, foi à oportunidade que faltava. Eu e todos que estão aqui já sofremos demais. Será que vamos continuar sofrendo? Será que nunca vamos ter a oportunidade de viver tranquilo em nosso cantinho? Até quando vamos encontrar espinhos que não nos permitem caminhar livres e descalços sem ferir os nossos pés?”, questionou o senhor Manoel Onofre, 68 anos, trabalhador rural acampado.

Ele integra uma das 75 famílias, aproximadamente, que moram no acampamento Santo Expedito, localizado no município de Barra (BA), e que no ano de 2007 acamparam a fazenda “Queimada do Vale”, com 22.875 hectares, completamente abandonada. Em 2016, a referida fazenda foi encaminhada pela justiça para reavaliação e posteriormente levar a leilão, o que não aconteceu. Funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria – INCRA, afirmaram para os/as ocupantes que a Fazenda “Queimada do Vale” está hipotecada.

Foto: CPT Bahia/ Equipe Centro Oeste.
Foto: CPT Bahia/ Equipe Centro Oeste.

Em 2009, Agrimar Leite de Lima, domiciliado em Recife (PE), apareceu no acampamento dizendo ser dono da propriedade e propondo acordo com as famílias acampadas. Segundo Antônia Francisca Guedes, uma das acampadas, Lima prometeu entregar os documentos da terra aos ocupantes, colocar energia elétrica e água no acampamento. Como contra partida, parte da propriedade deveria ser desocupada. Ou seja, os/as trabalhadores/as ficariam com 150 hectares e o restante ficaria para o fazendeiro. Acordo este que até o momento não foi concretizado.

Pedro Henrique Vieira de Lima, filho de Lima, vive pressionando os/as acampados para deixarem a área. Segundo ele a fazenda será colocada à venda.  Os/as camponeses/as afirmam que não vão sair. Pois, o suposto proprietário não apresentou nenhum documento que comprove a sua propriedade.

Antônia Guedes, uma das acampadas, afirmou que o grupo é proveniente de uma área do Credito Fundiário. “Por motivos burocráticos o acampamento não pode ser inserido no programa. Como não tinha para onde ir, o grupo resolveu acampar aqui. São pessoas que necessitam da terra para trabalhar e não pensam em sair”, completou.

Para José Carlos dos Santos, diretor do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Barra, viver em acampamento não é uma tarefa fácil. “Se o pessoal está aqui, é porque precisa, é uma forma de alimentar sua família, por esse motivo o sindicato apoia essa luta”, enfatizou.

Foto: CPT Bahia/ Equipe Centro Oeste.
Foto: CPT Bahia/ Equipe Centro Oeste.

Os/as camponeses/as acampados/as tem a consciência de que a terra é um meio de sobrevivência para suas famílias. Produzem frutas como acerola, banana, manga e outras, e forneciam para a prefeitura de Barra pelo Programa Nacional de Aquisição de Alimentação Escolar – PNAE. Infelizmente, a estiagem na região fez com que a produção caísse drasticamente. Também produzem mandioca para a fabricação de farinha, e criam caprinos e bovinos.

A Comissão Pastoral da Terra – CPT está acompanhando as demandas dos/as acampados/as na perspectiva de que permaneçam na terra e que os órgãos competentes não façam “vistas grossas” frente a tal situação.

CPT Centro Oeste – núcleo Barra.

20

Seja o primeiro a comentar esse post!

DEIXE AQUI SEU COMENTARIO

Seu e-mail não será publicado.


*