TRANSPOSIÇÃO, PENSEI QUE ERA UMA JOIA RARA E É SIMPLESMENTE UMA BIJUTERIA!

abril 03, 2017
Eixo Norte, Cabrobó - PE. Foto: Almacks Silva.

Eixo Norte, Cabrobó – PE. Foto: Almacks Silva.

Desde o início das obras de transposição do rio São Francisco, dividida em dois Eixos, Norte e Leste, os movimentos sociais e o Comitê do São Francisco sempre foram favoráveis só ao Eixo Leste, mesmo assim, com algumas alterações básicas. O governo Lula em 2007 não aceitou o diálogo e se dizendo um socialista usou o Exército Brasileiro para intimidar e iniciar as obras que precisavam um refinamento dos estudos.

Segundo ele (Lula) e a Dilma, para cada R$ 1,00 real gasto na Transposição seriam gastos R$ 2,00 reais na Revitalização que não saiu do papel (até o Decreto presidencial assinado em 2001 por FHC sequer teve número).

A Dilma afirmou que para cada R$ 1,00 gasto na Transposição seriam necessários R$ 3,00 reais para construção e funcionamento de canais adutores nos estados receptores para a água chegar aos lares dos nordestinos, também não foi cumprido pelo governo federal e menos ainda pelos governos dos estados receptores.

Assim nasceu a Transposição projetada para uma retirada a partir do Eixo Norte de 99,0 m3/s através 08 bombas gigantes, reduzidas para 4  e do Eixo Leste 28,3 m/s através 04 bombas gigantes reduzidas para 02, porque todos os cálculos foram levados em conta uma vazão de 1.860 m3/s a partir de Sobradinho (atualmente com 650 m3/s) perfazendo um total de 127,3 m3/s, que só poderá ser retirado se o Lago de Sobradinho estiver com 80% de sua capacidade e como CONDICIONANTE que se Sobradinho estiver abaixo deste volume, só poderá ser retirado 27,3 m3/s.

Lançamento das águas da Transposição no rio Paraíba. Foto: Almacks Silva.

Lançamento das águas da Transposição no rio Paraíba. Foto: Almacks Silva.

Andando pelo Eixo Leste para a entrega de Projetos Hidroambientais executados com recursos da cobrança pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco nas sub-bacias do Moxotó e Pajeú no Pernambuco, passei pela cidade de Monteiro – PB, cidade onde as águas do São Francisco são despejadas no leito do Rio Paraíba (terrenos de aluvião) para chegar ao Açude Epitácio Pessoa, conhecido como Boqueirão, que abastece a cidade de Campina Grande.

Na cidade de Ibimirim – PE, encontrei o maior reservatório do Pernambuco (Poço da Cruz) vazio e o Canal do Moxotó que alimentava água para um perímetro irrigado para pequenos agricultores parado e uma senhora com uma vasilha retirando um pouco de água que acumulou com a última chuva para alimentar um pequeno rebanho de bovinos que ficam em um curral às margens do canal.

Na zona rural da cidade de Brejinho – PE, encontrei um agricultor familiar e seu filho abastecendo uma pipa, transportada em um carro de boi puxado por uma pareia (termo nordestino) de bois em pleno barramento nas nascentes do Rio Pajeú.

Com Sobradinho com menos de 15% de sua capacidade e liberando apenas 650 m3/s que grande parte deste volume é retirado antes das águas chegarem as captações do Eixo Norte e no lago de Itaparica, local em que é a tomada de água do Eixo Leste o Baixo São Francisco em Alagoas e Sergipe entra em colapso e é estabelecido o conflito pelo uso das águas para geração de energia, irrigação e Transposição.

Hidrelétrica de Xingo, sem as 4 baias que seriam instaladas as turbinas, só 6 foram instaladas pela perda do fluxo do rio. Foto: Almacks Silva.

Hidrelétrica de Xingo, sem as 4 baias que seriam instaladas as turbinas, só 6 foram instaladas pela perda do fluxo do rio. Foto: Almacks Silva.

O Rio São São Francisco segundo estudos apontam que nos últimos 50 anos perdeu 35% de sua vazão e isso se comprova com a última foto (Xingó 1987) projetada para funcionar com 10 turbinas e só foram instaladas 6, olhe com atenção para o lado esquerdo da e veja as baias onde seriam instaladas e com a perda de vazão do rio não foi possível.

Transposição, para que e para quem?

Almacks Luiz Silva
Graduado em Gestão Ambiental – UNOPAR
Residência Agrária em Processos Históricos e Inovações Tecnologicas no Semiárido – UFPB
Pós-graduando em Perícia e Auditoria Ambiental – UNINTER
CREA-BA Nº 051552221-0


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