A comunidade de Pau de Colher, localizada no município de Casa Nova (BA), realizou a 22ª Romaria de Pau de Colher, um momento marcante de fé, memória e luta popular. A Romaria, realizada no último dia 13 de dezembro, contou com o apoio das comunidades vizinhas, da Paróquia São Sebastião e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Com o tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era bom”, a Romaria refletiu sobre o cuidado com a criação, a defesa da vida e o compromisso com a justiça social. Mais do que um ato religioso, a Romaria se reafirmou como um espaço de conscientização, organização popular e preservação da história.
O Padre João Borges, da Paróquia São Sebastião, conduziu a abertura da Romaria, relembrando de forma forte e emocionante o movimento camponês de Pau de Colher e o massacre ocorrido na localidade na década de 1930. O padre destacou como o conflito marcou profundamente a região, resultando na morte de cerca de mil pessoas, vítimas da violência do Estado brasileiro. Pe. João Borges ressaltou que a Romaria nasceu justamente com o objetivo de não deixar essa história cair no esquecimento, mantendo viva a memória dos que resistiram e tombaram na luta.




Após a abertura, que aconteceu debaixo do umbuzeiro, no cemitério coletivo, teve início a caminhada da Romaria, marcada por três paradas, cada uma dedicada a reflexões profundas sobre a Ecologia Integral, a fraternidade, a fé, a defesa do meio ambiente, da terra e do território. Os momentos de parada foram espaços de escuta, partilha e reafirmação do compromisso das comunidades com a vida e com a luta por dignidade.
A Romaria foi encerrada com a Santa Missa, reunindo os participantes em um clima de oração, esperança e renovação da fé. A celebração reforçou o sentido da caminhada como sinal de resistência e de compromisso com os valores do Evangelho, vividos na prática cotidiana do povo.
A 22ª Romaria de Pau de Colher reafirmou que lembrar é um ato de resistência. Ao fortalecer a fé, a caminhada coletiva e a memória histórica, as comunidades mostram que a luta do passado continua inspirando o presente, na defesa da terra, da vida e da dignidade do povo sertanejo.





