Fortalecendo a resistência feminina e quilombola na Chapada Diamantina.
A Articulação de Movimentos Sociais da Chapada Diamantina vem a público manifestar sua solidariedade a Catarina Silva, liderança da comunidade quilombola da Bocaina, em Piatã. O coletivo manifesta preocupação com as reiteradas situações de assédio moral e violência à qual Catarina tem sido submetida por representações do poder público municipal. Nos últimos dias, essas ações se intensificaram em seu ambiente de trabalho, o Centro Educacional Professor Nestor Santos.
O constrangimento público não apenas desrespeita e viola os direitos individuais de uma servidora pública, como contraria a Convenção 169 e os direitos educacionais dos povos tradicionais assegurados pela constituição. O nome da instituição de ensino da Bocaina é uma referência ao professor e compadre de Catarina, com quem aprendeu o amor à educação, à natureza e à poesia. Catarina é poetisa, mestra de saberes populares e referência em educação quilombola, atuando em inúmeros projetos e parcerias com universidades públicas como a UNEB, UFBA e UEFS. Sua liderança é também reconhecida internacionalmente como uma das vozes mais significativas na defensa dos direitos da natureza e dos povos chapadeiros.
É com tristeza que percebemos o quanto o ambiente escolar da comunidade, que deveria servir para assegurar e promover a autonomia quilombola, esteja sendo transformando em um espaço de tensão, desagregação e intimidação das resistências. O constrangimento público da servidora na instituição de ensino não é pessoal, nem um ato isolado. As intimidações refletem a intensificação dos conflitos socioambientais na região.
Desde 2012, Catarina atua na defesa do seu território frente a mineradora multinacional Brazil Iron. As irregularidades denunciadas pela comunidade foram comprovadas e levaram à suspensão das licenças ambientais pelo INEMA em 2022. A empresa também responde a um processo no Reino Unido movido pelas lideranças locais. Todo esse cenário, tem provocado inúmeras tentativas de pressão para liberação de um megaprojeto de morte, que ameaça povos tradicionais e compromete o futuro da Bocaina e da Chapada Diamantina.
Ante todas essas circunstâncias, este coletivo se coloca à disposição da Rede Municipal de Educação de Piatã para fortalecer o cumprimento de sua missão constitucional de ofertar uma educação quilombola de qualidade na Bocaina e demais comunidades afetadas. Nosso compromisso é apoiar a promoção de ambientes pedagógicos de ensino e aprendizagem que promovam a emancipação de sujeitos críticos, livres e autônomos, desenvolvendo um modelo de educação de referência em defesa da vida, da dignidade, da cultura e do patrimônio biocultural dos povos das serras da Chapada. Quanto ao assédio sofrido, as medidas cabíveis não foram tomadas no momento, a pedido de Catarina, que entende a escola como espaço de diálogo e conciliação.
Articulação de Movimentos Sociais da Chapada Diamantina
Articulação dos Povos do Cerrado e da Caatinga
AATR – Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais
CPT – Comissão Pastoral da Terra
Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3
Dom Vicente de Paula Ferreira
Escola das Águas Nascentes
ELA – Escola Livre Audiovisual
FACINE – Festival de Cinema Ambiental da Chapada Diamantina
Frente Parlamentar Ambientalista da Bahia
Gambá
Grupo de Pesquisa CUCA/UNEB
MAM – Movimento por Soberania Popular na Mineração
MAR – Movimento dos Atingidos por Renováveis/ Regional Chapada Diamantina
Mandato parlamentar de Hilton Coelho
MAPAS – Métodos de Apoio às práticas Ambientais e Sociais
MPA – Movimento de Pequenos Agricultores/ Regional Chapada Diamantina
OCA – Observatório dos Conflitos Socioambientais da Chapada Diamantina
Rede de Pesquisa GeografAR
S.O.S Bocaina e Mocó
Teia dos Povos
Viver Cultura e Meio Ambiente/Ponto de Cultura Abassá de Oxalá
Foto destaque: Ananda Azevedo


