
Funcionários da empresa estão visitando as comunidades, propondo contrato de “autorização de ocupação e uso de áreas de terra para fins de instalação e exploração de usina eólica”. O mais preocupante, é que os referidos contratos são entregues aos/as posseiros/as sem nenhuma explicação, ou quando acontece, são mostradas algumas cláusulas que não trazem tantas dificuldades para as comunidades.
Entre as cláusulas mais polêmicas estão, por exemplo, a entrada com processo extrajudicial de usucapião das áreas em favor dos/as posseiros/as, em terras supostamente públicas, no período pré-operacional, com pagamento de R$ 1.800 anual pelo arrendamento de cerca de 200 hectares, o que representaria em torno de R$ 0,75 mensal por hectare; contrato por 30 anos, automaticamente renováveis por mais 30; e multa de 1 milhão de reais caso o contrato seja rescindido pela Associação ou posseiros, além de outros.
Uma tática da empresa é negociar individualmente com os/as posseiros/as, sendo que muitos/as deles/as não sabem ler, tão pouco compreendem o significado das cláusulas contratuais.
Na região já existe um parque eólico em funcionamento (o primeiro instalado no estado da Bahia), mas não é bem visto por moradores das comunidades em questão, haja vista que muitas promessas feitas pela mesma empresa, também responsável na época pela implantação, não foram cumpridas. A exemplo dos animais que não podem ser criados a solta como eram antes, e o direito das pessoas das comunidades de ir e vir ser impedido ou dificultado.

Comissão Pastoral da Terra – Bahia / Centro Oeste – núcleo Barra


