No dia 10 de novembro de 2025, às 9h, moradoras e moradores da Comunidade Quilombola Andorinhas, localizada na cidade de Sento Sé-BA, reuniram-se no prédio da Igreja Católica com o objetivo de deliberarem sobre a autoidentificação enquanto Comunidade Remanescente de Quilombos, nos termos do Decreto 4.887/2003. O momento também contou com a presença do padre Claudimiro Alves do Nascimento, da professora Ângela Maria da Silva Reis, da Escola Sala Avançada Quatro de Outubro (de Andorinhas), do professor Benedito Sirqueira, do Colégio Sete de Setembro, do agente pastoral Domingos Rocha Gomes, da Comissão Pastoral da Terra da Bahia (Centro Norte – Juazeiro) e do professor Adalton Marques, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
No início da reunião, após mística introdutória e apresentação do professor Adalton sobre os procedimentos requeridos pela Fundação Cultural Palmares, Eliete da Silva Santos fez uma fala a respeito da história da Comunidade Andorinhas e dos sentidos do autorreconhecimento quilombola, seguida por Margarida Ladislau Barbosa e Ezania Leobino de Souza, que ressaltaram a importância desse processo em face dos danos provocados pela mineração de ferro na região e das ameaças de novos empreendimentos minerários em Andorinhas.



Depois de extensa deliberação, os presentes, por unanimidade, se autodeclararam quilombola, afirmando que a Comunidade Andorinhas é remanescente de quilombos. Além disso, também por unanimidade, os presentes decidiram que, após a certificação pela Fundação Cultural Palmares, solicitarão a abertura de processo de regularização de seu território na Superintendência Regional – Médio São Francisco (SR-MSF) do INCRA, sediada no município de Petrolina/PE.



A solicitação dessa Certidão de Autodefinição é um importante marco de resistência da Comunidade Quilombola Andorinhas, formada por ancestrais que, no século XIX, fugiram dos maus-tratos sofridos na Fazenda Sobrado, localizada no município de Remanso. As fugas a nado ou em cima de troncos de tamboril pelo Rio São Francisco e pela parte mais estreita das ilhas evidenciam a força de um povo que resistiu às barbáries da escravidão. As composições entre os troncos familiares (Tibúrcio, Ferreira, Leobino, Silva, Barbosa, Ladislau) que constituíram as relações comunitárias e mantiveram as tradições culturais de Andorinhas foram fortes o bastante para formar uma gente capaz de enfrentar o racismo que atravessou o século XX e ainda persiste nos dias atuais.
Isso dá uma dimensão do enorme trabalho de conscientização que as lideranças locais colocaram em movimento para produzir a unanimidade em torno da autoidentificação quilombola, o que está expresso no documento encaminhado à Fundação Cultural Palmares intitulado Meu Território Conquistado: “Resistir pelo Direito de Existir” – Histórico da Comunidade Tradicional Remanescente de Quilombo de Andorinhas, Sento-Sé, BA.
Convocada por lideranças para apoiar este processo, além de colaborar na realização da reunião do dia 10 de novembro e no encaminhamento da documentação requerida à Fundação Cultural Palmares, a CPT Juazeiro ajudou a organizar um encontro no dia 23 de outubro dedicado a apresentar o processo de solicitação da Certidão de Autodefinição para comunidades quilombolas. Sob a promessa de ser uma presença solidária, profética, ecumênica, fraterna e afetiva, a CPT Juazeiro reafirma seu compromisso de reforçar o protagonismo da Comunidade Quilombola Andorinhas.
Adalton Marques (Assessor da CPT Juazeiro e docente da Univasf)


