Na próxima segunda-feira, 25 de fevereiro, faz um mês do rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Como forma de prestar solidariedade às vítimas do crime ambiental e humano cometido pela maior produtora e exportada de minério de ferro do mundo, a Vale, diversos atos e manifestações serão realizados nesta data em capitais e cidades do Brasil.
O rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho provavelmente entrará para o ranking mundial como a tragédia que deixou mais mortes envolvendo barragens nas últimas três décadas. O número de vítimas já chega a mais de 300, entre mortos e desaparecidos. Há ainda cerca de 140 pessoas desabrigadas, que perderam familiares, amigos, casas e formas de sustento.
“O ato regional em Juazeiro dia 25 faz parte de um processo nacional de mobilização, com atos em Minas Gerais e por toda a bacia do Rio São Francisco”, comenta o integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Roberto Carlos Oliveira. Ele complementa que além de prestar solidariedade aos atingidos/as, o ato também tem como objetivos denunciar a empresa Vale, que cometeu dois crimes em pouco mais de três anos em Minas Gerais (Brumadinho e Mariana) e defender o Rio São Francisco, que poderá ser contaminado com os rejeitos da barragem do Córrego de Feijão.
O Rio Paraopeba, por onde corre a pluma de rejeitos de Brumadinho, é um dos afluentes do Velho Chico e já está com a água inutilizável em boa parte da sua extensão. “De certa forma a bacia do São Francisco já foi afetada, porque o Paraopeba é um afluente do Velho Chico. A nossa preocupação aqui no Vale do São Francisco é como essa contaminação ao longo da bacia pode gerar mais danos, porque pode afetar o consumo da água e também outras atividades, como a dos pescadores”, destaca a integrante do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) Rizoneide Gomes.
O Ato em solidariedade às vítimas de Brumadinho e em defesa do Rio São Francisco é organizado por movimentos sociais e organizações populares, como o MAB, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), CPP e a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).
Juazeiro e Petrolina
A preocupação de que os rejeitos da barragem, que contêm metais pesados, cheguem ao Rio São Francisco tem mobilizado a população dos municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Representantes de universidades, órgãos públicos e da sociedade civil se reuniram para debater a situação e cobrar medidas efetivas para a preservação do rio, o que resultou na criação do Fórum Permanente de Defesa do Rio São Francisco. O bispo da Diocese de Juazeiro, Dom Carlos Alberto Breis, também manifestou, através de nota, a apreensão de que o Velho Chico seja contaminado.
Às 8h, os/as manifestantes seguirão da Praça Dedé Caxias (localizada na Avenida Adolfo Viana) em caminhada até o Vaporzinho, na Orla II de Juazeiro, onde o ato será encerrado com um momento inter-religioso. A programação do ato também contará com apresentações culturais. O músico Fatel e a banda P1 Rappers confirmaram presença no evento.
Outras localidades
– Bom Jesus da Lapa: os/as manifestantes sairão da Barrinha até o Santuário do Bom Jesus da Lapa, às 7h30.
– Barra: o Ato começa a partir das 8h, na rampa do Mercado Central;
– Salvador: a partir das 10h, na Praça Campo da Pólvora;
– Caetité, às 18h30, na Câmara de Vereadores;
– Jacobina: às 10h, concentração na Igreja da Conceição;
– Carinhanha: o ato acontece dia 22, a partir das 7h.
Texto e foto: Comunicação do Ato em solidariedade às vítimas de Brumadinho e em defesa do Rio São Francisco
Edição: Comunicação CPT BA