
Através de dinâmicas, filmes e leitura de textos, Teresinha Martins da Gama Bauer, ajudou na reflexão e aprimoramento do tema, envolvendo os participantes do curso e construindo a percepção de como funcionam as relações sociais de gênero dentro da nossa sociedade, que apesar dos avanços em alguns aspectos, ainda segue o modelo tradicional do patriarcado, onde o homem tem o domínio de um lado e as mulheres ficam subordinadas do outro. “A V Etapa do LIDERAR foi bastante proveitosa por abordar criticamente as relações sociais de gênero, em especial do patriarcado, o tal sistema que hoje também predomina em nossa sociedade. Porém é através desses momentos de construção e de capacitação que sonhamos com um sistema diferenciado e vamos propagando formas melhores para uma boa convivência onde prevaleça a equidade entre os gêneros”, afirmou uma das participantes, Emília Brito dos Reis, do Povoado de Lagoa do Saco, em Monte Santo.

“É importante ressaltar que o patriarcado não atinge somente as mulheres, mas também aos homens, porque o modelo capitalista de produção de vida padronizada e rotineira está dentro do nosso cotidiano. Porém quem mais sofre é o gênero feminino por não ter um reconhecimento das atividades domésticas como um serviço, só é visto como serviço aquela atividade remunerado fora de casa, ou seja, a mulher exerce uma dupla jornada, dentro e fora de casa, em alguns casos mesmo exercendo a mesma função que o homem ela é submetida a receber um salário relativamente inferior ao homem, o chamado sexismo”, completou Giliard.
Dentro dessas discussões com a turma, fica evidente o quanto o machismo é preponderante no cotidiano das famílias e as mulheres ficam apenas em uma situação de subordinação, de servidão ao homem. Para Larissa Alves, da comunidade de Monte Alegre, Monte Santo, o avanço do capitalismo sobre as relações sociais, culturais, religiosas, fizeram muitas mulheres passaram a se conhecer menos e muitas se renderam ao poder do sistema, juntamente com o patriarcado. “A mulher passou a ser uma imagem rotulada e padronizada, por isso a condição na conjuntura atual não favorece os direitos femininos. A saída dessa situação é a organização e perpetuação das informações relacionadas ao assunto. Fazer com o que se tenham mais espaços educativos para homens e mulheres, provocando discussões para resultar em possíveis soluções que venham ser colocadas em prática por todos”, concluiu Alves.
A troca de experiências entre a turma de locais e realidades diferentes enriqueceu esse debate, tornando assim a conclusão de mais uma etapa do curso como um ponto positivo. As discussões sobre as relações sociais de gênero, raça e preconceito vieram de uma sequência de demandas e debates promovidos por diversos grupos, em diversos espaços. Esse é um assunto transversal, e que precisa ser ainda mais intensificado, e é com esse compromisso que os liderandos/as retornam as suas comunidades e grupos de atuação para dar continuidade a essa discussão tão necessária. E como desafio seguimos dando visibilidade as iniciativas já existentes de luta e protagonismo na história das mulheres.
“Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!”
Texto e fotos: Amanda Santos/ CPT Bahia – Equipe Centro Norte


