Por Fernanda Oliveira Rodrigues – Caetité (BA)/ Fonte: MAM

Aqueles que se dedicam à implantação do Projeto tem anunciado as boas novas que os municípios de Caetité e Pindaí receberiam com a implantação de tão “gloriosa” obra, essas exaltações situam-se principalmente no discurso da geração de emprego e renda. O poder público de Caetité incluindo seu prefeito e maioria dos vereadores prometem que a operação da mina Pedra de Ferro gerará mais de 20 mil empregos para a cidade.
No entanto, como em todos os grandes projetos estruturais construídos com o objetivo de atender a realização das demandas do mercado financeiro, o Projeto Pedra de Ferro propagandeia um conto de fadas, que como todos já sabem, inexiste na vida real. E portanto, os reais impactos e degradações que vem sendo ocasionados e podem se alastrar com o prosseguimento desta exploração mineral tem sido escondidos da população caetiteense, pindaiense e guanambiense que seriam os maiores impactados pelo empreendimento, caso se consolide o projeto de instalação da Barragem de Rejeitos requisitada pela empresa.

Além da barragem de rejeito que apresenta grande ameaça ao meio ambiente e a centenas de famílias, para operação da Mina é necessário fazer-se o rebaixamento do lençol freático da área da cava. E aqui começam as contradições anunciadas por esse projeto:
1- A área destinada à mineração para empresa Bamin tem um grande potencial hídrico e fonte de abastecimento e recarga de 26 nascentes, além de ser um divisor de águas das bacias do São Francisco e Rio de Contas. Essa fonte hídrica é necessária para o abastecimento de milhares de famílias nos municípios de Caetité, Pindaí e Licínio de Almeida, que utilizam água do Poço da Cachoeira, mapeado onde está prevista a instalação da Barragem.
2- Para iniciar e manter a operação da Mina, a empresa pretende realizar o rebaixamento do lençol freático, isso implica reduzir o nível de água que atualmente se encontra em 900 metros para 300 metros através da perfuração de poços profundos.
3- O consumo de água apresentado pela empresa é de um nível estratosférico, e , considerando-se o fato de localizar-se no Polígono das secas, a quantidade de água requerida para o Projeto Pedra de Ferro chega a ser assustadora. Vejamos alguns dados: 480 m³/h, ou seja 480000 mil de litros retirados do rebaixamento do lençol freático. 765m³/h- 765000 mil de litros de água a serem retirados do Rio São Francisco no Município de Malhada, por hora. Além de outras quantidades mencionadas pela própria empresa no RIMA. Para realizar a exploração do minério de Ferro a empresa fará uso de aproximadamente 114.000.000.000 (cento e quatorze bilhões) de litros de água por ano, o que daria para se construir 2.192.307 cisternas de produção (52.000 litros cada cisterna para o consumo humano. (CPT; MAM , 2017)
4- A instalação da Barragem de Rejeito destruiria uma área de vegetação nativa preservada de 719 hectares. Nessa área se localiza o Riacho Pedra de Ferro , responsável pela formação do maior córrego conhecido na área como Rio Grande , e um dos afluentes do Rio Carnaíba de Dentro (afluente da Bacia do Rio São Francisco), um dos principais responsáveis pelo abastecimento e irrigação de inúmeros agricultores familiares em Ceraíma, Guanambi, além de outras localidades.
5- A área da Alternativa 2, além de suas nascentes como o Pedra de Ferro e o Poço Cachoeira é composta por uma área florestal de grande riqueza em termos de biodiversidade, e por se tratar de uma área de ecótono apresenta tanto espécies endêmicas de flora de Cerrado e Caatinga, como contém vegetação de porte arbóreo remanescente de Mata Atlântica.


