Comunidades tradicionais do Oeste da Bahia enfrentam seca extrema, violência e morosidade na regularização fundiária, enquanto clamam por justiça territorial e climática.
Os últimos meses foram marcados por uma estiagem prolongada no Oeste da Bahia. O impacto é severo sobre as comunidades tradicionais de Fundo e Fecho de Pasto, que dependem dessas áreas para garantir o sustento de suas famílias e a sobrevivência das criações bovinas durante o período mais crítico da seca.
Essas comunidades mantêm há mais de trezentos anos um modo de vida ancestral baseado no uso coletivo dos Territórios e na convivência harmônica com o Cerrado, bioma que nasce e abriga as águas. No entanto, esse modo de vida vem sendo ameaçado pelo avanço da grilagem e pela violência do agronegócio, que tem expulsado famílias de seus territórios de forma truculenta.
Apesar de anos de denúncias e mobilizações, o Estado da Bahia tem agido com morosidade na efetivação da regularização fundiária dessas áreas, perpetuando um cenário de insegurança, medo e violência. Enquanto isso, o desmatamento e os grandes empreendimentos avançam sobre territórios tradicionais, alterando o equilíbrio ambiental e social do Cerrado.
Os Fundo e Fechos de Pasto de Vereda da Felicidade, Cupim, Boi Arriba Abaixo, Morrinhos, Entre Morros, Gado Bravo, Brejo Verde, Catolés, Capão do Modesto, Porcos, Guará e Pombas, entre outros, enfrentam cotidianamente os impactos desse “progresso” imposto, que desconsidera os direitos dos povos da terra e o valor inestimável da conservação do bioma.
“É progresso expulsar filhos da terra, famílias fecheiras que vivem há mais de trezentos anos nestas áreas? É progresso destruir o Cerrado para beneficiar poucos?”, questionam os moradores.

A maior riqueza do Cerrado está em pé: na água limpa, na biodiversidade e nos modos de vida que o mantêm vivo. As comunidades reafirmam seu compromisso com a preservação ambiental e exigem respeito à sua história e território.
Enquanto o Governador da Bahia e sua equipe participam da COP30, debatendo soluções globais para o clima, os Fecheiros e Geraizeiros enfrentam, em casa, o desafio de garantir água e alimento para suas criações.
“Governador, sem justiça territorial não há justiça climática. Não seja contraditório em seus posicionamentos.”
O clamor que ecoa do Oeste da Bahia é um só: Liberdade para os Fundos e Fechos de Pasto já!
Sem Cerrado, não há clima. Sem povo, não há Cerrado.

Por Coletivo de Fundo e Fecho de Pasto da Bacia do Rio Corrente – Edição e registros Amanda Alves | Comunicação CPT Centro Oeste



