CPT BAHIA

CPT Juazeiro celebra lutas camponesas e os 49 anos da Pastoral

A Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no município de Campo Alegre de Lourdes (BA), sediou, nos dias 14 e 15 de novembro, a Assembleia Diocesana Anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Juazeiro. Camponeses e camponesas dos diversos municípios do território da Diocese participaram da Assembleia, que teve o objetivo de avaliar a caminhada junto às comunidades rurais em 2025, planejar as ações pastorais para o próximo ano e celebrar os 49 anos da CPT Juazeiro.

No primeiro dia da Assembleia, o professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Adalton Marques, e o ecoteólogo Roberto Malvezzi (Gogó), ambos assessores da CPT Juazeiro, facilitaram um momento de análise de conjuntura. O professor provocou os/as participantes a analisarem as disputas geopolíticas em torno das terras raras, chamando a atenção para as estratégias discursivas de investidores e empresários – em conluio com governos à direita e à esquerda – que defendem a mineração como atividade fundamental para a chamada “transição energética”. A Assembleia analisou criticamente a maneira como os tomadores de decisão da COP30, que acontece em Belém (PA), dirigem os olhares da opinião pública apenas na direção do avanço das chamadas “energias renováveis”, com destaque para as turbinas eólicas e os veículos elétricos, que dependem do avanço mortífero da mineração.

Ainda no primeiro dia de programação, os/as participantes se dividiram em cinco grupos de discussão (Umbuzeiro, Juazeiro, Mandacaru, Aroeira e Jurema) e analisaram o trabalho pastoral da CPT realizado ao longo de 2025. Dentre as questões positivas, foram destacadas: as formações com jovens e mulheres; o trabalho em parceria com outras entidades e com as paróquias; a assessoria jurídica com foco na defesa da terra e dos territórios; o trabalho de conscientização em relação ao avanço dos empreendimentos minerários, eólicos e fotovoltaicos; as formações agroecológicas e implantações de hortas, canteiros e galinheiros coletivos; o apoio ao engajamento de agricultoras/es no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e nas feiras agroecológicas, incentivando a agricultura familiar; e, finalmente, a contribuição nos processos de reconhecimento das comunidades (fundos de pasto e quilombolas).

A noite dia 14 foi marcada por uma festa lindíssima para celebrar os 49 anos da CPT Juazeiro, animada pela banda das comunidades de Campo Alegre de Lourdes, muitos comes e bebes e com direito a um bolo de aniversário. Já o segundo dia de Assembleia foi iniciado com uma missa celebrada pelo Padre Bernardo Hanke, seguida por uma memória das atividades realizadas no dia anterior, facilitada pela agente pastoral Marina Rocha.

Ezânia Leobino de Souza, da comunidade quilombola Andorinhas, do município de Sento Sé, ressaltou o apoio da CPT na luta das comunidades da borda do Lago de Sobradinho contra os prejuízos provocados pela mineradora Tombador Iron, bem como no processo organizativo de criação da Associação das comunidades e de autorreconhecimento quilombola. Cíntia Araújo, representando a União das Associações de Fundo de Pasto de Pilão Arcado, também chamou atenção para o trabalho organizativo da CPT, ressaltando o fortalecimento das comunidades de fundo de pasto na defesa da terra e território e no enfrentamento aos chamados “projetos de desenvolvimento” que destroem os modos de vida tradicionais.

Para Verçonha Mendes, da comunidade de fundo de pasto São Gonçalo, do município de Campo Alegre de Lourdes, “a CPT é uma entidade muito importante e parceira das comunidades, está sempre presente nas lutas e nos enfrentamentos, com orientações sobre como defender a terra e o território”. Beronice Ferreira da Silva, a Beró, representando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso, do município de Remanso, celebrou os 49 anos da CPT, ressaltando que a resistência e o esperançar são as características da presença dessa pastoral junto ao povo, na luta diária pela vida e (re)existência dos povos.

A Assembleia Diocesana da CPT Juazeiro inaugurou o ano de comemorações dos 50 anos da Pastoral, seu ano Jubilar, baseada na leitura do Levítico 25, segundo o qual a cada 50 anos todas as terras arrendadas ou hipotecadas em Israel deveriam ser devolvidas a seus proprietários originais, assim como todos os escravos e trabalhadores em servidão deveriam ser libertados (Lv 25.10). Abre-se, assim, um ano de celebração e de memória das pequenas libertações do passado e da Grande Libertação futura, sob o lema que anima o serviço pastoral: “Romper Cercas e Tecer Teias: A Terra a Deus Pertence! (cf. Lv 25)”.

Texto: Adalton Marques (assessor da CPT Juazeiro)

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