CPT BAHIA

CPT lança relatório Conflitos no Campo 2025 na UNEB, em Jacobina

Evento promovido pela CPT da Diocese de Bonfim, em parceria com estudantes de História da UNEB, debateu os dados sobre os conflitos no campo e os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais da região.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Bonfim, na região Centro-Norte da Bahia, realizou, no dia 21 de outubro de 2026, o lançamento dos dados do caderno Conflitos no Campo Brasil 2025. A atividade ocorreu no auditório do Campus IV da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Jacobina (BA), em parceria com estudantes do 8º semestre do curso de Licenciatura em História. O encontro reuniu agentes pastorais, trabalhadoras e trabalhadores, representantes de comunidades tradicionais e entidades parceiras, promovendo o debate e a reflexão crítica sobre a realidade do campo brasileiro e da região.

A programação teve início com uma mística em memória da luta das comunidades, com destaque para o cordel A Terra dos Pobres, de autoria de Barbara Keylany. Em seguida, Antônio Celio, agente da CPT na Diocese de Bonfim, apresentou os dados do relatório, destacando os números recordes de conflitos registrados em todo o país.

A Bahia ocupa o terceiro lugar em número de conflitos, concentrando 12% dos 1.286 casos registrados pela CPT em 2025. O estado fica atrás do Pará, com aproximadamente 14%, e do Maranhão, com mais de 16%. Por outro lado, o levantamento também aponta o crescimento das ações de resistência na Bahia: houve aumento de 12% nos registros relacionados a ocupações e retomadas. Já os conflitos por água apresentaram uma redução de aproximadamente 14%. Os dados são do Centro de Documentação Dom Tomás Beduíno, da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc/CPT).

O lançamento também contou com a participação de integrantes de comunidades tradicionais, que compartilharam relatos sobre os problemas enfrentados em seus territórios diante das atividades minerárias e da implantação de empreendimentos de energia eólica na região. Estiveram presentes representantes das comunidades de Fundo de Pasto de Borda da Mata, no município de Campo Formoso, e de Riacho, além de integrantes da comunidade quilombola do Conqueiro, localizada no município de Mirangaba (BA).

Após as falas, o público participante teve espaço para intervenções e contribuições. Entre elas, destacou-se o relato da estudante de Geografia Luana, que ressaltou a importância da atividade para ampliar o debate sobre os conflitos no campo dentro da universidade e fortalecer o diálogo com as comunidades.

“Esse evento veio no bom momento para aprofundarmos esses dados tão preocupantes dentro da universidade. Precisamos construir mais espaços desse na universidade junto com o pessoal das comunidades. Importante trabalhar as cartografias, assim como fizeram na comunidade Rio dos Macacos, região metropolitana de Salvador. Estou disponível para ajudar”, afirmou a estudante.

O encontro constituiu um importante espaço de reflexão sobre os desafios enfrentados pelos povos do campo, das águas e das florestas, reafirmando a importância da articulação entre universidade, comunidades tradicionais e organizações sociais na defesa dos territórios, dos direitos e da vida.

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