
Viviam tranquilamente, neste território, comunidades diversas, até o surgimento de duas grandes pressões econômicas, o imaginário próspero das capitanias de Recife e São Vicente, que mudaram definitivamente a relação destas pessoas com a natureza. O caos Jurídico e carência de políticas públicas fizeram com que comunidades inteiras fossem criando uma relação de dependência com o latifúndio, com o garimpo ou fugissem para as proximidades dos rios, afinal o rio não deixa o pobre morrer de fome.
As mulheres sonhavam com um destino diferente. Cansadas de ver as madeiras, os diamantes e os esposos partirem sem nenhum retorno, decidem que seus filhos seriam adotadas por mães que garantissem o sustento com os pescados, as frutas, as verduras, que limpassem as roupas, a casa, as mobílias e a alma. Com todas as honras compartilharam seus familiares por mais de 150 mães, todas com nomes, identidades próprias e muita força. Estas experiências foram segredos entre as mulheres.

Contudo, estas comunidades não criam autonomias. Agora é o Estado que ameaça estes povos, impedindo que os filhos tenham acesso a estas mães, tudo em nome do desenvolvimento. O Estado decreta que todos os filhos sejam apenas “usuários” e sem nenhum planejamento permite que as veias destas guerreiras sejam perfuradas e canalizadas para suas plantações, e assim agonizam e morrem as últimas mães. Filhos e filhas que não se renderam ao capital morrem juntos.

O dilema da Bacia hidrográfica do rio Paraguaçu.
Texto e fotos: Claudio Dourado/ CPT Bahia.
Foto da capa: Tiago Aragão/ CPT Bahia.


