
Para aprofundar as discussões, os/as participantes assistiram o documentário “Paixão e Guerra no Sertão de Canudos” de Antônio Olavo, que conta a história do massacre e fizeram uma visita de campo ao Parque Estadual de Canudos, lugar onde podem ser encontrados ainda hoje, diversos elementos do período da guerra, desde pequenos objetos, às ruinas da Velha Canudos, a réplica da cruz da igreja e trincheiras utilizadas pelos Conselheiristas no embate com os soldados.

Diante deste contexto, Adelson Kaimbé, destacou a importância de não perder a ideia de que a luta é integrada e que a resistência é a única alternativa. “Somos provocados a todo momento pensar o que nosso espirito exige, nosso povo é grito”, disse.

A estrutura agrária das cidades de Mirangaba, Capim Grosso, Jacobina, Serrolândia, Pindobaçu, Várzea Nova, Ourolândia, entre outras da região, é um retrato da estrutura agrária do Brasil, com profunda desigualdade e elevado índice de concentração de terras, a exemplo de Mirangaba, onde apenas 5% dos estabelecimentos, ocupam cerca de 50% da área total do município, segundo o Banco de Dados do Geografar, com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2006.

Diante de uma árvore centenária, o pau ferro, no centro sagrado da aldeia, Adelson contou um pouco da história de luta do povo Kaimbé, cuja população residente naquele território é de cerca de 1.400 pessoas. Ele também destacou os assassinatos de parentes, o embate com fazendeiros e as dificuldades relacionadas ao Estado que não resolve a questão das terras indígenas no Brasil. Adelson nos levou também ao lugar conhecido como Ilha, lugar de natureza exuberante, onde se podem ouvir os encantados.

Já para Alijanes de Souza Pereira, do Assentamento Nova Canaã, em Pindobaçu, essas são histórias que todo o povo brasileiro deveria conhecer. “Ouvindo essas histórias, meu coração apertou. Queria ter trazido minha filha”, relatou.
Segundo Janecleide de Jesus Silva, o intercâmbio realizado contribuiu para entender a questão da terra e a questão indígena, e a romper preconceitos de que índio usa tanga e só anda pintado. “Eu entendi o que o meu avô dizia que foi pego a dente de cachorro. Me vi nessa história. Ontem pensei: se meu avô tinha sangue indígena, então eu também sou indígena, meus filhos são indígenas, nós somos indígenas”, concluiu.
Maria Aparecida de Jesus Silva/ CPT Bahia Centro Norte – Diocese de Bonfim


