Os dias 07 e 08 de outubro de 2026 foram de muita alegria e esperança para quatro comunidades que estão na área de atuação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Centro-Oeste da Bahia, Núcleo da Diocese da Barra. As comunidades quilombolas de Cipó I (em Muquém do São Francisco), Saco Grande de Tixinha (em Ibotirama), além de Pedra Negra da Extrema e Igarité (ambas em Barra), receberam a visita do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da equipe responsável pela elaboração do RTID. Na oportunidade, em cada comunidade, foi anunciado a abertura e início dos trabalhos de elaboração dos estudos antropológicos e cadastramento das famílias. Na sequência serão realizados os demais trabalhos que vão compor o relatório final e o encerramento, segundo o professor Olivan Rabelo, coordenador da equipe está previsto para o mês de fevereiro de 2027.
Segundo Claudio Bonfim, chefe da Divisão Quilombola do Incra, “a execução do estudo é fruto de uma parceria do órgão, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) que por sua vez, contratou a empresa Legaliza — especializada em regularização fundiária — para a execução dos RTIDs”.

Os RTIDs são reivindicados há bastante tempo por essas populações e representa um avanço crucial na luta pela garantia de seus territórios. O documento reúne o resgate histórico da comunidade, via estudo antropológico, a relação das famílias residentes, além da planta e do memorial descritivo da área ocupada tradicionalmente. Em suma, o estudo detalha a vivência cultural e o espaço geográfico utilizado pelas famílias.
Para Cicero Soares, presidente da Associação Esperança, de Saco Grande de Tixinha “Receber o Incra e Empresa Legaliza, responsável pela elaboração do RTID, aqui nesses dias e ver o início do trabalho com o RTID nos mostra que a nossa luta valeu a pena. Esse registro não é só um papel; é a garantia dos nossos direitos e o reconhecimento da nossa história aqui. A expectativa da comunidade é imensa: queremos ver as famílias beneficiadas prosperando, com acesso a melhorias e com a tranquilidade de que a segurança jurídica da nossa terra finalmente virou realidade.”
Na mesma direção, Gean Almeida, presidente da associação de Igarité, celebrou o momento: “Esse trabalho para nós é muito importante. É fruto da nossa resistência e da nossa luta, que finalmente começou a render frutos. Estamos muito felizes. Resistência e Luta!”.
No total, cerca de 500 famílias dessas quatro comunidades serão beneficiadas diretamente. A conquista gera grande expectativa e fortalece a mobilização local. Embora as lideranças reconheçam que o caminho até a titulação definitiva ainda é longo, o início dos trabalhos traz a esperança de que o título do território se torne realidade no futuro.
Já Nilda Santiago, presidenta a associação da comunidade Cipó I afirma que “foi um prazer receber em nossa comunidade toda a equipe que fará parte do processo de produção do RTID e também a presença dos nossos/as colaboradores/as da CPT, que juntos contribuíram nos esclarecimentos ajudou a gente a entender a importância desse processo. Todos/as nós da comunidade ficamos muitos felizes, empolgados/as e esperançosos/as. A palavra hoje é gratidão, primeiramente a Deus, a todos/as colaboradores/as e toda a comunidade”.
Ivonildo Fernandes, presidente da associação de Pedra negra da Extrema, resumiu assim esse momento na comunidade: “a Comunidade Quilombola Pedra Negra está muito contente, com a vinda do INRA e iniciando o RTID. 65 famílias vão ser beneficiadas, um momento muito esperado, realização de um sonho, agradecemos todos envolvidos nessa luta. a CPT tem um papel muito interessante para nós todos. A comunidade agradece também a pessoas que se foram e eram muito fortes na luta, em especial a senhora Leonidia e seu Joaquim, que se ainda tivesse conosco daria a maior força para nós nesse relatório. Gratidão”.

Além das quatro localidades mencionadas, o quilombo Curralinho, também situado em Barra, está com o seu RTID em fase de elaboração. Ao todo, cinco comunidades estão sendo contempladas na região, beneficiando aproximadamente 750 famílias.
Sabemos dos desafios, para as comunidades tradicionais como um todo na atual conjuntura e o cenário muito preocupante, entretanto este momento vivido pelas comunidades precisa ser valorizado, pois tudo isso é fruto de muita força de vontade, persistência, resistência e luta.
Viva as comunidades tradicionais!
Texto e registros CPT – Centro Oeste da Bahia



