Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) será lançado em Salvador, no dia 18 de setembro, às 14h, no Instituto de Geociências, na UFBA
O estado da Bahia vem historicamente figurando no topo da lista dos estados com mais conflitos no campo, neste ano, um dos destaques é para o trabalho escravo que mais que tripiclou em ocorrências em relação a 2024 e teve 171 trabalhadores resgatados. Por outro lado, apesar de seguir em terceiro lugar em conflitos no campo no Brasil, a Bahia teve redução global de 11% seguindo a tendência de redução no Brasil, que teve queda de 28%. É o que aponta o caderno de conflitos 2025 da Comissão Pastoral da Terra (CPT-BA), que será lançado no dia 18 de setembro, às 14h, no Instituto de Geociências, na UFBA.
O momento oportunizará a apresentação de dados, análises e denúncias sobre a realidade dos conflitos no campo baiano, que é marcado por violências, e permaneceu em 3º lugar em número de conflitos, acumulando 12% dos 1.286 registrados pela CPT, abaixo apenas de Pará, próximo de 14% e Maranhão mais de 16%. Por outro lado, houve luta, o estudo também registrou um aumento de 12% nas ações de resistência na Bahia, entre ocupações e retomadas. Já os conflitos por água tiveram leve queda de aproximadamente 14%. O levantamento é do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc/CPT).
Os destaques da Bahia têm sido consistentes temporalmente, por exemplo, o estado ficou em terceiro lugar na série histórica do Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro, lançado em 2025 pela CPT. Em 2023 o estado ficou em primeiro lugar no ranking nacional com 249 ocorrências e se destacou em conflitos por água em 2021. A entidade realizou um mapeamento ampliado dos anos de conflitos no campo brasileiro no período entre 1985 e 2023, por meio dos seus relatórios que são lançados anualmente.
Relatório – Elaborado anualmente pela CPT desde 1985, com a primeira publicação em 1986, o relatório Conflitos no Campo Brasil é uma fonte de pesquisa para universidades, veículos de mídia, agências governamentais e não-governamentais. O relatório é construído, principalmente, a partir do trabalho de agentes pastorais da CPT, nas equipes regionais que atuam em comunidades rurais por todo o País, além da apuração de denúncias, documentos e notícias, feita pela equipe de documentalistas do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc-CPT) ao longo do ano.
“Sem esses dados, sem essas dores que a CPT denuncia todos os anos, esses gritos ficariam no silêncio. Esta é a memória dos que tombaram e o grito dos que continuam de pé. A CPT escuta os corações, na busca por romper o cerco da mídia burguesa que tenta nos invisibilizar e nos criminalizar. Os povos contam suas histórias e rompem o silêncio imposto pelos de cima, e isto é um ato de rebeldia e de construção do poder popular: é quando o ribeirinho grava o desmatamento de madeira com o celular; é quando a juventude grava um podcast, é quando a quebradeira de coco fala na rádio comunitária”, afirma uma liderança comunitária do Pará.



