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Feira dos Povos da Terra e das Águas celebra a diversidade produtiva, cultural e a resistência dos territórios

Espaço realizado durante a 49ª Romaria da Terra e das Águas, em Bom Jesus da Lapa, reuniu agricultura familiar, economia solidária e expressões culturais do Cerrado e da Caatinga

Durante a 49ª Romaria da Terra e das Águas, realizada entre os dias 3 e 5 de julho, em Bom Jesus da Lapa (BA), a Feira dos Povos da Terra e das Águas reafirmou seu papel como um dos espaços mais vibrantes de valorização da agricultura familiar, da economia popular solidária e das expressões culturais dos povos e comunidades tradicionais.

Realizada há quatro anos, a Feira evidencia os frutos de um processo contínuo de organização e fortalecimento de mulheres e agricultores camponeses. O espaço demonstra como os saberes tradicionais vêm sendo transformados em alternativas de geração de renda, conservação da sociobiodiversidade e afirmação de seus modos de vida. As cadeias produtivas do Cerrado e da Caatinga ganham visibilidade por meio de itens que carregam identidade, história e o compromisso com o cuidado da terra e das águas.

Nesta edição, a criatividade e a diversidade marcaram os estandes, foram mais de quarenta expositores(as). Romeiros e romeiras puderam conhecer e adquirir uma ampla variedade de artigos, entre doces, geleias, farinhas, cachaças, licores, bolos, biscoitos, frutos do Cerrado, mel, artesanatos, biojoias indígenas e diversos outros itens produzidos pelas mãos de famílias camponesas. Mais do que um espaço de comercialização, a Feira se consolidou como um ambiente de troca de saberes, partilha de experiências, fortalecimento de redes e valorização dos conhecimentos ancestrais.

A programação cultural também foi um dos grandes destaques. A cantora Naty Rocha animou o público com um repertório diversificado, reunindo diferentes ritmos e promovendo momentos de celebração coletiva. O artista Bosco Fernandes emocionou os participantes com canções que exaltam a cultura regional, fortalecendo a identidade dos povos do território.

Outro momento marcante foi o cortejo dos Amigos do Boi da Privintina, que percorreu as ruas das rancharias levando alegria, tradição e a força da cultura popular. Já o Grupo de Batuque Bora Batucar, da comunidade Quilombola de Olhos D’água do Basílio (município de Seabra), colocou romeiros e romeiras na roda, celebrando a ancestralidade, a resistência e a diversidade por meio da música e da dança.

A Feira dos Povos da Terra e das Águas demonstra que produzir alimentos saudáveis, preservar os biomas e manter vivas as manifestações culturais são práticas inseparáveis. Ao reunir agricultores, artesãos, artistas e comunidades tradicionais, o espaço fortalece a economia solidária, promove a soberania alimentar e reafirma que o Cerrado e a Caatinga são territórios de vida, cultura e esperança.

Mais do que uma exposição, a Feira é uma expressão viva da resistência dos povos, que seguem cultivando seus territórios, seus saberes e sua ancestralidade, reafirmando que a defesa da vida também passa pela valorização da produção camponesa e das tradições populares.

A realização de mais uma feira é resultado da força da coletividade. Sua concretização só foi possível graças ao empenho de muitas mãos: agricultores e agricultoras, artesãos e artesãs, artistas, voluntários, equipes de apoio, colaboradores, organizações parceiras, pastorais, financiadores e de todas as pessoas que contribuíram antes e durante as atividades. Mais do que uma feira, este é um encontro que fortalece redes de solidariedade. Ano que vem tem mais!

Texto e fotos: Amanda Alves | Comunicação CPT

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